sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Jogando a toalha

A luta terminou companheiro. E desta vez não estou falando de política. Com o término da II Jornada Pedagógica de Xangri-Lá é essa a conclusão que se pode chegar a partir da fala dos palestrantes presentes ao evento. O discurso é sempre o mesmo, mas agora ele vem com uma acidez mais direta e mortal.
Primeiramente a maioria, para agradar, faz um breve manifesto sobre os baixos salários dos professores, em seguida o rumo da conversa é alterado para a abnegação, para o amor, para a relevância do “ser professor”. Pode-se constatar com isso que cada um deve buscar uma valorização no interior do seu inconsciente, pois a valorização externa não virá tão cedo. Para fechar esse discurso vem uma mensagem, um pouco adaptada, ressuscitada da época da Ditadura: “Magistério, ame-o ou deixe-o”.
Os mais românticos continuam acreditando que a “vocação” e boa vontade faz bons profissionais, mera ilusão. Casos isolados existem, entretanto, não se pode justificar a regra pela exceção. O problema da formação de professores não está nos cursos, mas sim na atratividade da carreira. Enquanto a remuneração dos professores for pífia os mais aptos não escolherão a sala de aula como destino.
Por mais que se façam cursos, seminários e palestras, onde especialistas em “enrolação” pedem que se extraia mais do mesmo, não teremos avanços, pois nossa sociedade não valoriza a figura do professor, por mais qualificado que ele seja. O bom desempenho da atividade docente depende do olhar do aluno, não basta o professor ter a autoestima nas alturas e o aluno não corroborar com esse juízo. Os professores não criaram o estigma do professor pobre coitado. Este é fruto de longos anos de desprezo e desamparo, que fazem das licenciaturas, as últimas opções da maioria esmagadora dos universitários brasileiros.
         Nobre professor do Brasil, sua valorização está dentro de você. Quando encontrar, por favor, empreste-me um pouco, pois minha conta de luz está atrasada.

3 comentários:

  1. Caro mestre:
    Concordo c quase todo teu artigo.Quanto ás palestras motivacionais ou de aperfeiçoamento ja decoramos a receita do bolo. Mas discordo muito quando dizes que só os menos aptos seguem optando por nossa ingloria tarefa te enganas, e muito. Te uso como exemplo.Excelente profissional, dedicado e reconhecido por isso. E nao somos poucos.... Mas a quem interessa profissionais criadores de sapiência e de cidadaos questionadores?
    P.S. Que bom q voltaste a escrever.

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    1. Muito obrigado pelas palavras. Penso que existe sim bons profissionais, que tiveram uma boa formação e continuam refletindo sobre educação, escola, política, vida... Mas minha maior preocupação é com o futuro e com um conformismo relacionado à precaridade na qual estamos submetidos. Com isso, se não tivermos professores questionadores e com indignação jamais teremos cidadãos com essas características.

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  2. Escreve muito bem, daqui a algum tempo estara fazendo colunas semanais para a Zero Hora.

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