quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A polêmica do shortinho

À medida que a temperatura vai subindo com a proximidade da estação mais quente do ano, nossas escolas são massivamente invadidas por shortinhos minúsculos vestidos por meninas cada vez mais jovens. Não é difícil encontrar expressões escandalizadas com a situação. Há até quem se dirija às secretarias das escolas para denunciar o fato.
Tratando-se de casos isolados, caberia uma intervenção imediata e precisa dos educadores, mas para o meu espanto o número de casos é significativo. A polêmica do shortinho é mais um sintoma da crise pela qual nossa sociedade está passando. Muitos que são contrários ao shortinho na escola condenam a direção pela falta de fiscalização e até pela omissão ao fato, mas esquecem de que muitas dessas meninas saíram de casa sendo observadas por seus responsáveis que não censuraram (ou censuraram sem eficácia) o traje inadequado ao ambiente escolar.
Novamente nos deparamos com o debate sobre o papel da escola. Será que diretores, professores e funcionários têm maior autoridade sobre as roupas que os alunos podem (devem) vestir para ir à escola? E o uniforme? O uniforme enfrenta uma tremenda resistência dos alunos e dos pais. Dos alunos porque muitos não vão para a escola com o intuito de estudar e dos pais porque acabam cedendo à vontade dos filhos.
Infelizmente a escola não tem a autonomia necessária para atuar. No passado seria fácil coibir o shortinho, bastaria não deixar entrar sem uniforme e as famílias apoiariam a decisão. Hoje, barrar um aluno no portão sem uniforme ou com vestimenta inadequada é caso de polícia e até objeto de processo judicial.
A construção do ambiente escolar passa pela formação do indivíduo dentro do seio familiar e quando esta formação falta, a escola é acionada. Enquanto a escola discute o uniforme, o shortinho e o celular dentro da sala de aula o ensino fica em segundo plano.


          Rapidinha: Parte do prédio da E.M.E.F. Manoel Prestes de Rainha do Mar, que fora interditado ano passado, já foi demolido. Não foi um recorde de agilidade, visto que se passaram mais de 10 meses da interdição, mas é um avanço. A comunidade aguarda ansiosa a continuidade da reforma.

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