Resultados obtidos com programas
semelhantes às cotas nas universidades públicas são imediatos. Muitos
estudantes ficam satisfeitos com a chance de ingressar em uma universidade de
qualidade além de tê-la de modo gratuito. Isso é ótimo para essas pessoas e que
bom que elas tiveram essa oportunidade, mas isso não é o suficiente para acabar
com as desigualdades de oportunidades.
A grande verdade é que a educação
básica pública continua às moscas. O investimento pesado em educação básica
pública tornaria o programa de cotas temporário e dispensável em longo prazo,
só que isso demora, não traz satisfação imediata, além de não garantir um bom
desempenho nas urnas a cada quatro anos.
Parece-me que de forma
inconsciente (tomara) o governo vai aumentar o número de pessoas que, tendo
condições, vai optar por matricular seus filhos em uma escola particular de
melhor qualidade. Reconhecendo assim, a falência da educação básica pública.
Infelizmente a política de cotas
é mais um programa que vem remediar. É um projeto paliativo que deveria ser
acompanhado com o aumento dos investimentos em educação pública. Só os
investimentos em qualidade na educação pública podem trazer justiça à nossa
sociedade. Desta forma a grande massa de estudantes de escolas públicas
chegaria ao vestibular de qualquer universidade com igualdade de condições
perante os concorrentes provenientes das escolas particulares.
O fato é que alguns estão sendo
puxados para um patamar superior, enquanto que a grande maioria continua
submetida a uma escola precária com professores desvalorizados e mal pagos,
vislumbrando um emprego qualquer em um país economicamente promissor.
O Brasil é um país que ainda tem um longo
caminho pela frente para apresentar avanços sociais que não sejam frutos de
projetos artificiais. Tais avanços só serão possíveis quando o Estado acreditar
e investir no potencial das pessoas, deixando de ser assistencialista e
proporcionando a cada indivíduo a condição de ser o senhor do seu próprio
destino.
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