terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Alimentos

É fim de ano e sempre nesta época as pessoas são instigadas a demonstrar sua solidariedade fazendo doações a campanhas que têm por objetivo alegrar os lares de famílias carentes. Não tenho a menor dúvida que tais campanhas levam alegria a muitas casas durante essas festividades, mas e o restante do ano?
Sou franco em dizer que não conheço a realidade das populações carentes do nosso litoral, entretanto, imagino que a carência dessas famílias não apareça apenas no final do ano. Com isso fico preocupado se as campanhas realmente atingem seus objetivos ou servem somente para o desencargo de consciência dos mais abastados.
 A reflexão sobre prioridades e necessidades básicas é interessantíssima nesses momentos. Como podemos viver tranquilos em nossas casas sabendo que alguém não tem o que comer? Como conceber que seres humanos tenham menos regalias que muitos animais de estimação por aí?
Sendo um defensor ferrenho da “nutrição cultural/intelectual” reconheço que ela só poderá se estabelecer a partir do saneamento das necessidades básicas da pessoa humana. Ninguém conseguirá ler um bom livro com fome, a pirâmide das necessidades não pode ser ignorada.
De barriga cheia o desenvolvimento cultural/intelectual também se torna necessário. Encontrar propósito à existência e preencher a mente com conhecimentos novos e atraentes traz saúde e faz evoluir. Essa evolução individual acaba transformando naturalmente o meio ao qual estamos inseridos. Comece a ler com frequência, talvez num primeiro momento sejas visto com estranheza, mas se houver persistência certamente serás imitado.
O alimento intelectual ainda é pouco valorizado por nossa sociedade, tendemos a projetar quais vantagens materiais conseguiremos com a aquisição de novos conhecimentos. Esse fato é um problema que só será solucionado quando começarmos a nos dedicar ao saber pelo saber, e, com persistência, esperar que todos façam o mesmo.

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