É fim de ano e sempre nesta época
as pessoas são instigadas a demonstrar sua solidariedade fazendo doações a
campanhas que têm por objetivo alegrar os lares de famílias carentes. Não tenho
a menor dúvida que tais campanhas levam alegria a muitas casas durante essas
festividades, mas e o restante do ano?
Sou franco em dizer que não
conheço a realidade das populações carentes do nosso litoral, entretanto,
imagino que a carência dessas famílias não apareça apenas no final do ano. Com
isso fico preocupado se as campanhas realmente atingem seus objetivos ou servem
somente para o desencargo de consciência dos mais abastados.
A reflexão sobre prioridades e necessidades
básicas é interessantíssima nesses momentos. Como podemos viver tranquilos em
nossas casas sabendo que alguém não tem o que comer? Como conceber que seres
humanos tenham menos regalias que muitos animais de estimação por aí?
Sendo um defensor ferrenho da
“nutrição cultural/intelectual” reconheço que ela só poderá se estabelecer a
partir do saneamento das necessidades básicas da pessoa humana. Ninguém
conseguirá ler um bom livro com fome, a pirâmide das necessidades não pode ser
ignorada.
De barriga cheia o
desenvolvimento cultural/intelectual também se torna necessário. Encontrar
propósito à existência e preencher a mente com conhecimentos novos e atraentes
traz saúde e faz evoluir. Essa evolução individual acaba transformando
naturalmente o meio ao qual estamos inseridos. Comece a ler com frequência,
talvez num primeiro momento sejas visto com estranheza, mas se houver
persistência certamente serás imitado.
O alimento intelectual ainda é pouco valorizado
por nossa sociedade, tendemos a projetar quais vantagens materiais
conseguiremos com a aquisição de novos conhecimentos. Esse fato é um problema
que só será solucionado quando começarmos a nos dedicar ao saber pelo saber, e,
com persistência, esperar que todos façam o mesmo.
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