segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Reprovação

Todo mundo sabe que muitas vezes precisamos dar um passo para trás para que logo adiante possamos dar dois passos para frente. Essa máxima pode ser usada para avaliarmos a reprovação escolar, que nos últimos anos entrou em extinção nas escolas públicas brasileiras.
Com o objetivo de melhorar os índices educacionais foram criados muitos mecanismos para que o aluno avance. No entanto, esses mecanismos acabam trazendo um efeito colateral gravíssimo. O interesse em estudar, que já era muito pequeno, chega perto do zero quando o aluno descobre que não precisa efetivamente estudar para ser aprovado.
Considerar a reprovação como um “ano perdido” ou até mesmo um atraso no percurso é um equívoco grandioso. Pior que “perder um ano” é avançar sem ter os conhecimentos suficientes daquela série, além da defasagem de aprendizado desse aluno também é preciso analisar a mensagem que fica no seu inconsciente. Será que no ano seguinte ele vai se esforçar sabendo que no final do ano seu objetivo será alcançado de qualquer forma?
A escola segue uma corrente inversa dos conceitos mais banais construídos em sociedade. Se você não trabalha você não recebe salário. Se você não estuda não tem problema, a gente dá um jeitinho e fica tudo bem, aliás, não se pode “traumatizar” um aluno com uma reprovação.
Quanto mais se oportuniza meios de evitar a reprovação menos os alunos se esforçam para serem aprovados. O último estágio da derrocada do sistema educacional brasileiro é a aprovação automática, como em muitos lugares isso já é uma realidade, significa que estamos bem próximos do fundo do poço.
Estarmos próximos do fundo do poço não é de todo ruim. Apenas com a falência total de uma estrutura é possível excluí-la e assim partir em busca de um caminho que nos leve a uma educação de qualidade.
Se você achou tudo isso uma grande bobagem aguarde. Logo, logo, essa geração (“sem traumas escolares”) vai ingressar no mercado de trabalho, aí você me conta o resultado.

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