Todo mundo sabe que muitas vezes
precisamos dar um passo para trás para que logo adiante possamos dar dois
passos para frente. Essa máxima pode ser usada para avaliarmos a reprovação
escolar, que nos últimos anos entrou em extinção nas escolas públicas
brasileiras.
Com o objetivo de melhorar os
índices educacionais foram criados muitos mecanismos para que o aluno avance.
No entanto, esses mecanismos acabam trazendo um efeito colateral gravíssimo. O
interesse em estudar, que já era muito pequeno, chega perto do zero quando o
aluno descobre que não precisa efetivamente estudar para ser aprovado.
Considerar a reprovação como um
“ano perdido” ou até mesmo um atraso no percurso é um equívoco grandioso. Pior
que “perder um ano” é avançar sem ter os conhecimentos suficientes daquela
série, além da defasagem de aprendizado desse aluno também é preciso analisar a
mensagem que fica no seu inconsciente. Será que no ano seguinte ele vai se
esforçar sabendo que no final do ano seu objetivo será alcançado de qualquer
forma?
A escola segue uma corrente
inversa dos conceitos mais banais construídos em sociedade. Se você não
trabalha você não recebe salário. Se você não estuda não tem problema, a gente
dá um jeitinho e fica tudo bem, aliás, não se pode “traumatizar” um aluno com
uma reprovação.
Quanto mais se oportuniza meios
de evitar a reprovação menos os alunos se esforçam para serem aprovados. O
último estágio da derrocada do sistema educacional brasileiro é a aprovação
automática, como em muitos lugares isso já é uma realidade, significa que
estamos bem próximos do fundo do poço.
Estarmos próximos do fundo do
poço não é de todo ruim. Apenas com a falência total de uma estrutura é
possível excluí-la e assim partir em busca de um caminho que nos leve a uma
educação de qualidade.
Se você achou tudo isso uma grande bobagem
aguarde. Logo, logo, essa geração (“sem traumas escolares”) vai ingressar no
mercado de trabalho, aí você me conta o resultado.
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